UE ordena à Meta: elimine o scroll infinito e a reprodução automática ou enfrente multas de mil milhões
Reguladores europeus dizem que Facebook e Instagram foram concebidos para o manter preso, e querem que isto pare.

Pontos-chave
- A Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, fez uma constatação preliminar em 2025 de que o Facebook e Instagram da Meta utilizam funcionalidades de design que provocam comportamento aditivo.
- As funcionalidades nomeadas incluem reprodução automática (vídeos que começam a tocar sem pressionar nada), scroll infinito (um feed que nunca chega ao fim) e recomendações de conteúdo altamente personalizadas.
- Os reguladores dizem que a Meta não avaliou adequadamente o dano que estas funcionalidades causam à saúde mental e física, incluindo em crianças e adultos vulneráveis.
- A Meta pode enfrentar multas que representam uma parte significativa da sua receita anual global se a decisão final da UE for contra ela.
Imagine uma máquina de jogos. Não foi você que escolheu puxar a alavanca outra vez. A máquina simplesmente continuou. É aproximadamente o que os reguladores europeus acusam a Meta de ter incorporado no Facebook e Instagram.
A Comissão Europeia disse que a sua investigação descobriu que a Meta "não avaliou adequadamente os riscos do seu design aditivo no bem-estar físico e mental dos utilizadores, incluindo menores e adultos vulneráveis." Em linguagem clara: a Meta construiu funcionalidades que sabia mantê-lo ligado aos ecrãs, e os reguladores dizem que a empresa nunca questionou seriamente se isto estava a causar dano.
As três funcionalidades em questão são familiares a qualquer pessoa que já perdeu uma hora no seu telemóvel. A reprodução automática inicia o vídeo seguinte no momento em que o atual termina, para nunca ter de escolher continuar a ver. O scroll infinito significa que o seu feed não tem um ponto de paragem natural, sem fundo da página onde possa pousar o telemóvel. As recomendações personalizadas utilizam o seu comportamento anterior para lhe servir exatamente o conteúdo mais provável de reter a sua atenção, o que parece útil até não ser.
"Estas funcionalidades alimentam o impulso do utilizador de continuar a fazer scroll e transferem o cérebro para o 'modo piloto automático', contribuindo para hábitos pouco saudáveis e utilização compulsiva," disse a Comissão.
Isto importa especialmente para utilizadores mais jovens. As crianças e adolescentes ainda estão a desenvolver as capacidades de autorregulação nas quais os adultos confiam, e os reguladores estão especificamente preocupados que as plataformas explorem essa lacuna.
A constatação é preliminar, o que significa que a Meta tem oportunidade de responder antes de qualquer decisão final ser tomada. Mas a Lei dos Serviços Digitais, a lei da UE que governa esta área, permite multas de até seis por cento do volume de negócios global total de uma empresa. Para a Meta, que reportou receitas de aproximadamente 135 mil milhões de dólares americanos em 2024, seis por cento não é um erro de arredondamento.
O que isto significa para utilizadores comuns?
Se a UE avançar, os europeus poderiam em breve ver Facebook e Instagram sem vídeos de reprodução automática e sem o feed infinito. Algumas plataformas já oferecem temporizadores opcionais ou limites de feed. Esta decisão, primeiro reportada pela Ars Technica, poderia tornar tais alterações obrigatórias em vez de estarem enterradas num menu de configurações.
Para pais, a conclusão prática é imediata: a maioria dos telemóveis e aplicações já oferece limites de tempo de ecrã e controlos de reprodução automática nas suas configurações. Não precisa de esperar que os reguladores atuem. Entrar nas configurações da aplicação do seu filho hoje e desligar a reprodução automática é um trabalho de cinco minutos que remove um dos mecanismos específicos que os reguladores assinalaram.



