A Anthropic Está a Construir os Seus Próprios Chips de IA
A empresa por trás do chatbot Claude está a contratar designers de chips para tornar a sua IA mais rápida e barata de executar, seguindo um caminho já percorrido pela OpenAI, Google e Meta.

Pontos-chave
- A Anthropic confirmou em agosto de 2026 que está a formar uma equipa de silício personalizado para desenhar os seus próprios chips de IA.
- A empresa já está em negociações com a Samsung como potencial parceira de fabrico, de acordo com um relatório publicado pela primeira vez pela The Information no mês passado.
- A Anthropic atualmente compra poder computacional à AWS, Google, Nvidia e AMD, mas a procura crescente por Claude tornou esse arranjo mais difícil de manter em escala.
- A OpenAI apresentou o seu próprio chip, chamado Jalapeño, em junho de 2026, construído em colaboração com a empresa de semicondutores Broadcom.
- A Alphabet (empresa-mãe do Google) e a Meta têm vindo a funcionar com chips proprietários há anos.
A Anthropic quer deixar de alugar e começar a possuir, pelo menos quando se trata de silício, os chips físicos que alimentam a sua IA. A empresa está a publicitar vagas numa "equipa de silício personalizado", um grupo que irá desenhar processadores especializados construídos especificamente para executar Claude, de acordo com o primeiro relato da TechCrunch AI.
Por que é que uma empresa de IA se importaria em fabricar os seus próprios chips?
Neste momento, executar um modelo de IA em larga escala custa enormes quantidades de dinheiro porque as empresas devem alugar acesso a chips poderosos de fornecedores como a Nvidia. Construir o seu próprio chip significa que pode desenhá-lo em torno exatamente do que o seu software precisa, reduzindo desperdício e, eventualmente, custo.
A Anthropic já tem acordos em vigor com a AWS, Google, Nvidia e AMD para aceder a hardware computacional. Mas, conforme a procura por Claude cresce, comprar tempo em chips de terceiros coloca um limite na velocidade com que a empresa pode expandir. Desenhar o seu próprio silício remove esse limite.
Quem mais está a fazer isto?
Vários dos maiores nomes em IA seguiram este caminho. A OpenAI revelou o seu primeiro chip interno, chamado Jalapeño, em junho de 2026. O Jalapeño foi fabricado pela Broadcom e construído para cargas de trabalho de inferência, o que significa que processa o momento em que um utilizador digita uma pergunta e o modelo gera uma resposta, a tarefa mais comum e dispendiosa que um sistema de IA realiza todos os dias.
O DeepMind do Google há muito que depende de chips chamados TPUs, sigla para Tensor Processing Units, que a Alphabet constrói internamente. A Meta tem vindo a desenvolver os seus próprios chips aceleradores, chamados MTIA, pelas mesmas razões.
Uma comparação aproximada de onde os principais players se encontram:
| Empresa | Chip interno | Estado (meados de 2026) |
|---|---|---|
| Google / DeepMind | TPU (várias gerações) | Há muito em produção |
| Meta | Acelerador MTIA | Em desenvolvimento |
| OpenAI | Jalapeño (via Broadcom) | Apresentado em junho de 2026 |
| Anthropic | Silício personalizado (sem nome) | A contratar agora |
O que isto significa para as pessoas que usam Claude?
A curto prazo, nada muda. O desenho de chips leva anos antes de chegar à produção. O benefício prático para utilizadores do dia a dia viria mais tarde: respostas mais rápidas, menor risco de falhas durante períodos de pico, e potencialmente acesso mais barato a ferramentas baseadas em Claude conforme os custos operacionais da Anthropic diminuem.
A nota honesta que vale a pena ter em mente: a maioria das empresas de IA que anunciam ambições de chips demora três a cinco anos a lançar silício real em escala. Contratar uma equipa é o primeiro passo de um processo muito longo.
A Anthropic não respondeu a um pedido de comentário.
Conclusão: Se usa Claude para trabalho hoje, nada muda. Mas acompanhe esta história nos próximos dois a três anos. As empresas que controlam os seus próprios chips terão uma verdadeira vantagem de custos relativamente àquelas que continuam a alugar, e isso eventualmente refletir-se-á nos preços.



