Os EUA bloquearam a maioria dos robots estrangeiros. Eis o que isso significa.

A FCC determinou que robots humanoides e móveis fabricados no estrangeiro representam um risco de segurança nacional. Especialistas afirmam que a proibição pode prejudicar a inovação americana tanto quanto a protege.

AI2Day Newsdesk5 min read
A close-up overhead shot of a small wheeled robot built from standardised components sitting on a flat competition mat with coloured grid markings, surrounded b
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Pontos principais

  • A Comissão Federal de Comunicações determinou em 2025 que robots móveis avançados fabricados no estrangeiro, incluindo humanoides e máquinas de quatro patas, representam riscos de segurança nacional inaceitáveis.
  • Os robots já adquiridos e modelos com aprovação FCC existente não são afectados pela proibição.
  • Investigadores descobriram anteriormente uma porta traseira oculta em robots Unitree e constataram que alguns modelos enviavam dados para servidores na China sem conhecimento dos proprietários.
  • A China representa actualmente 80 a 90 por cento de todos os robots humanoides enviados em todo o mundo.
  • Pelo menos um analista do sector alerta que a proibição poderia abrandar o desenvolvimento de humanoides nos EUA, cortando o acesso a plataformas chinesas acessíveis antes de existirem alternativas americanas.

O governo dos Estados Unidos tomou medidas para bloquear a maioria dos robots móveis fabricados no estrangeiro de entrar no país, citando preocupações de cibersegurança e riscos na cadeia de abastecimento para infraestruturas críticas de segurança nacional.

A Comissão Federal de Comunicações (FCC), a agência que regula dispositivos electrónicos vendidos nos EUA, anunciou a decisão esta semana. Segue uma recomendação de um órgão interagencial da Casa Branca que afirmou que tais produtos representam, nas palavras da comissão, "riscos inaceitáveis para a segurança nacional dos Estados Unidos".

Que robots são realmente proibidos?

A decisão abrange novas importações de "dispositivos robóticos avançados", uma categoria que inclui robots humanoides (máquinas construídas com forma humana) e quadrúpedes (robots de quatro patas, como as máquinas em forma de cão que pode ter visto em vídeos virais). Os inversores de energia conectados, que são componentes que convertem e transmitem electricidade nas articulações dos robots móveis, também são restringidos.

Crucialmente, os robots já comprados ou modelos que já possuem autorização de equipamento FCC não são afectados. As compras do governo federal também estão isentas. As empresas podem solicitar uma isenção para implementar atualizações de software em sistemas de fornecimento estrangeiro que já possuem.

A FCC descreveu a proibição como neutra em termos de país, mas conforme o Robot Report notou primeiro, a política tem como alvo um mercado onde a China envia 80 a 90 por cento dos robots humanoides globalmente e detém mais de metade das instalações de robots industriais do mundo.

Por que cibersegurança e por que agora?

A preocupação com segurança é concreta. Investigadores descobriram uma porta traseira oculta, um ponto de entrada secreto que permite acesso externo, em robots fabricados pela Unitree, um fabricante chinês. Alguns modelos Unitree também foram descobertos enviando dados silenciosamente para servidores na China sem conhecimento do proprietário. A Unitree registou uma oferta pública de acções de 610 milhões de dólares na China em março de 2025.

"Estes robots são computadores móveis conectados com câmaras, microfones e sensores", disse Robert Little, antigo chefe de estratégia de robótica na Novanta Inc. "Uma vez que entrem em fábricas, armazéns e eventualmente nas nossas casas, proteger os dados que recolhem torna-se uma questão de segurança nacional".

A FCC apontou para as suas restrições anteriores a drones fabricados na China como precedente, uma área onde os EUA já perderam a maior parte da sua capacidade de fabrico doméstico para a China.

A proibição pode ter o efeito contrário?

Vários analistas acreditam que sim, pelo menos no curto prazo.

"No curto prazo, a medida poderia abrandar a inovação de IA física nos EUA, cortando startups e investigadores do acesso a futuras plataformas chinesas de baixo custo antes de existirem alternativas ocidentais comparáveis", afirmou Georg Stieler, consultor global de robótica e director de gestão para a Ásia na STM.

Stieler aponta um exemplo de aviso: apesar de anos de restrições sobre drones DJI, os EUA ainda não têm um fabricante de drones para consumidores de mercado em massa competitivo.

A proibição também deixa um problema mais profundo por resolver. A China refina mais de 90 por cento dos magnetes de terras raras do mundo, um material essencial para motores de robots. Bloquear robots terminados não faz nada para reduzir essa dependência.

O investigador de mercado Rueben Scriven da Interact Analysis acrescentou que a maioria das empresas humanoides chinesas ainda não entrou no mercado dos EUA, portanto o impacto no curto prazo nas empresas chinesas é provavelmente limitado. O maior risco, argumenta, pode ser para as empresas americanas. Os robots chineses acessíveis têm ajudado empresas e investigadores americanos a aprender o que os humanoides podem realmente fazer. Remova essas máquinas e esse aprendizado abranda.

O que isto significa para as pessoas comuns?

Por enquanto, nada muda se já possuir um destes dispositivos. Se o seu local de trabalho utilizar um robot móvel fabricado no estrangeiro, permanece legal operá-lo.

A longo prazo, se os fabricantes domésticos não conseguirem escalar rapidamente, os custos dos sistemas robóticos em armazéns e fábricas podem aumentar, o que tende a repercutir-se nos preços das mercadorias. Os fabricantes de robots domésticos como Agility (com sede em Salem, Oregon) e Standard Bots (com sede em Glen Cove, Nova Iorque, e que angariou 200 milhões de dólares em financiamento da Série C no mês passado) são os beneficiários pretendidos da política.

Se as empresas americanas conseguem preencher a lacuna com rapidez suficiente é uma questão a que ninguém consegue ainda responder.

Perguntas frequentes

Esta proibição afecta robots já em uso em armazéns ou fábricas dos EUA?

Não. A decisão abrange apenas novas importações de robots móveis fabricados no estrangeiro. Os dispositivos já adquiridos, ou modelos que já possuem autorização FCC, não são afectados.

Por que o governo não pode simplesmente proibir empresas específicas em vez de todos os robots estrangeiros?

Os funcionários dos EUA argumentam que a lei chinesa confere ao governo chinês autoridade sobre qualquer empresa que opera lá, de modo que o risco não se limita a empresas individuais. Uma abordagem abrangente, afirmam, é a única forma de gerir isso.

Isto poderia tornar as mercadorias mais caras para os consumidores?

Potencialmente, ao longo do tempo. Se os fabricantes dos EUA não conseguirem produzir rapidamente alternativas acessíveis, as empresas que dependem de automação robótica podem enfrentar custos mais elevados, que podem eventualmente chegar aos consumidores.

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